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Economia circular. Devolver à terra o que ela nos deu.

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As coisas como recursos e não como resíduos. É este o princípio da economia circular, seja no que respeita à roupa, às mobílias ou outro tipo de objeto. Mas e com os alimentos? Empenhamo-nos na reciclagem do plástico, do papel e do vidro, mas e os resíduos orgânicos das frutas e vegetais que consumimos? Não seria importante dar-lhes uma nova vida?

 

Não é importante — é urgente. Ao invés de deitarmos para o lixo as cascas de uma cenoura, de uma batata, de uma cebola, de uma maçã ou as folhas de um alho-francês, devolvemos esta matéria orgânica à sua origem: à terra. Assim, o que chega ao fim, volta para trás e inicia-se um novo ciclo, como manda a economia circular.

 

Este trabalho é fundamental. Cumprir o princípio da economia circular na agricultura, devolvendo a matéria orgânica à terra, significa restituir os nutrientes de que ela despendeu na produção desses mesmos legumes e vegetais que consumimos.

 

O inverso tem, a longo prazo, consequências terríveis. Terminar o ciclo dos resíduos orgânicos, colocando-os no lixo, significa aumentar a infertilidade dos solos, cada vez mais pobres e carentes de matéria orgânica. É insustentável. E para percebermos isto basta imaginar a quantidade de resíduos orgânicos que consumimos em nossa casa — e multiplicá-lo por muitos milhões. É isso: é muito.

 

Como podemos contribuir para a economia circular na agricultura?

Não é fácil a solução. Existem entraves para que se cumpram os princípios da economia circular na agricultura e, para que se compreenda, basta pensar na distância entre produtores e a grande massa de consumidores: os campos estão num sítio e as cidades estão noutro, muitas vezes a centenas de quilómetros.

 

O que é que podemos, então, fazer?

 

  1. Primeiro, e menos prático: pegar nestes resíduos orgânicos formados na cidade, transformar em composto e voltar a levá-los para o campo. Problema: o desperdício de energia associado à longa viagem entre um sítio e o outro. De qualquer forma, poderá compensar: no limite, aquele agricultor precisa mesmo da matéria orgânica porque, caso esta não lhe seja devolvida, o seu solo vai empobrecer cada vez mais.

 

  1. Há outra abordagem, mais eficaz, importante e que implica alterações nas estruturas da sociedade. A ideia é esta: a economia circular é tanto mais eficiente quanto mais próxima é a fonte de produção e de consumo — daí a extrema importância da agricultura urbana.

 

Assim, o essencial é trazer os produtores para dentro ou para a periferia das cidades, de modo a que o sítio onde se produz o alimento seja o mesmo onde se produz a matéria orgânica. Resultado: podemos ir buscar o alimento diretamente ao produtor e, posteriormente, devolver-lhe os resíduos dos legumes, devolver-lhe os nutrientes, que vão enriquecer os seus solos.

 

  1. No caso de nenhuma das soluções anteriores servir, há outras estratégias para evitar o desperdício da matéria orgânica: tendo um terraço ou um jardim, fazer compostagem e entregar o composto a um produtor; caso esta não seja uma possibilidade, separar o resíduo orgânico e procurar uma entidade que faça a sua recolha e gestão, evitando os piores resultados: o aterro ou a queima.
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